Contação Sensorial: Descubra a Magia de Contar Histórias para Bebês

contação de história para bebês

Bem-vindo ao universo fascinante da contação de histórias para bebês! Aqui, cada palavra, gesto e imagem se transforma em uma ponte para o maravilhamento e a aprendizagem. Neste espaço, você encontrará recursos valiosos, técnicas comprovadas e um guia passo a passo para transformar histórias em uma aventura sensorial para os bebês. Ideal para pais, educadores e contadores de histórias, nosso artigo foi cuidadosamente elaborado para proporcionar uma experiência de contação rica e memorável. Acompanhe-nos nesta jornada pelas tradições brasileiras e descubra como capturar a imaginação dos pequeninos de maneira criativa e afetiva.

A Importância das Histórias no Desenvolvimento Infantil

Desde os primeiros meses de vida, os bebês estão em constante aprendizado. A audição de histórias estimula a imaginação, a criatividade, o desenvolvimento linguístico e a capacidade de atenção e concentração. O contato precoce com as narrativas prepara o terreno para futuras habilidades de leitura e escrita.

Compreendendo o Universo dos Bebês

Antes de mergulharmos nas técnicas, é fundamental compreender quem são nossos pequenos ouvintes. Bebês têm um campo sensorial e emocional distinto dos adultos. Eles respondem a tons de voz, ritmos, repetições e estímulos visuais.

Preparando o Ambiente

Para contar histórias a bebês, o ambiente deve ser acolhedor e seguro. Prefira locais calmos, com boa iluminação e confortáveis tanto para o adulto quanto para o bebê. Evite distrações, como televisões ligadas ou brinquedos espalhados. Em escolas e creches, você pode ajustar a iluminação do berçário com panos nas janelas, ou sacolas coloridas cobrindo as lâmpadas.

Tabela 1: Preparação do Ambiente

ElementoRecursos Sugeridos
IluminaçãoLuz suave e indireta
ConfortoAlmofadas, tapetes macios
Estímulos visuaisIlustrações, livros coloridos
SonoridadeVoz calma, ritmada

Escolhendo a História Certa

A escolha da história apropriada para bebês é um componente crucial no processo de contação de histórias. Cada narrativa detém o potencial de despertar emoções, estimular os sentidos e promover o desenvolvimento cognitivo. Neste contexto, a seleção deve levar em conta não apenas o conteúdo da história, mas também a forma como ela se harmoniza com as etapas do desenvolvimento infantil e os recursos disponíveis. A seguir, apresentaremos diretrizes para a escolha da história certa, exemplos de narrativas e uma tabela que correlaciona histórias, recursos utilizados e as sensações evocadas.

Diretrizes para a Escolha da História:

  1. Faixa Etária: Histórias simples e repetitivas são ideais para bebês mais novos, enquanto narrativas mais complexas e interativas podem ser adequadas para bebês mais velhos.
  2. Temática: Prefira histórias que abordem conceitos universais como amizade, amor, natureza e descobertas cotidianas, evitando enredos complexos ou assustadores.
  3. Elementos Visuais: Livros com ilustrações coloridas e contrastantes são atraentes para bebês, capturando sua atenção e estimulando sua percepção visual.
  4. Sons e Onomatopeias: Histórias que incorporam sons, músicas e onomatopeias promovem a participação ativa do bebê e o desenvolvimento da linguagem.
  5. Tato e Movimento: Livros com texturas, abas para levantar e elementos tridimensionais incentivam a exploração tátil e a coordenação motora.

Exemplos de Histórias:

  • “Onde está o Spot?” de Eric Hill: Ideal para bebês de 6 meses a 2 anos. Utiliza abas interativas e uma narrativa simples de procura pelo cachorrinho Spot, estimulando a curiosidade e o tato.
  • “O Patinho Feio” adaptado para bebês: Indicado para bebês de 1 a 3 anos. A história clássica adaptada com ilustrações vibrantes e uma mensagem positiva sobre autoaceitação.
  • “Dez Dedinhos e Dez Segredinhos” de Mem Fox e Helen Oxenbury: Apropriado para bebês de 6 meses a 2 anos. Incorpora rimas e conta com ilustrações que retratam bebês em atividades cotidianas, promovendo a identificação e a linguagem.

Tabela de Histórias, Recursos e Sensações:

HistóriaRecursos UtilizadosSensações Evocadas
Onde está o Spot?Abas interativas, figuras simplesCuriosidade, surpresa, tato
O Patinho FeioIlustrações vibrantesEmpatia, alegria, visão
Dez Dedinhos e Dez SegredinhosRimas, diversidade de personagensIdentificação, ritmo, audição

A Voz como Instrumento e Vínculo Afetivo

A voz é o primeiro instrumento de conexão entre o adulto e o bebê. Antes mesmo de compreender palavras e significados, os bebês são sensíveis aos tons de voz. Um tom suave e acolhedor pode transmitir segurança e carinho, estabelecendo um ambiente propício para a contação de histórias. O contato visual e o sorriso acompanhando a voz reforçam esse vínculo, criando uma atmosfera de cumplicidade e atenção compartilhada.

  • Entonação e Expressividade:

Na contação de histórias para bebês, a entonação ganha um papel protagonista. A variação de tons pode representar diferentes personagens, situar o ouvinte em contextos variados (como a diferença entre uma cena agitada e uma tranquila) e enfatizar elementos importantes da narrativa. Uma voz animada pode sinalizar momentos alegres ou surpreendentes, enquanto um tom mais baixo e lento pode indicar calma ou mistério. A expressividade vocal, portanto, guia as emoções e reações dos pequenos ouvintes, mesmo que eles ainda não compreendam completamente o enredo.

  • Ritmo e Cadência:

O ritmo e a cadência da voz são essenciais para captar e manter a atenção dos bebês. Histórias com um ritmo cadenciado, semelhante ao de canções de ninar, podem ter um efeito calmante e hipnótico. Por outro lado, variações no ritmo podem agregar dinamismo à narrativa, especialmente em momentos de ação ou surpresa. A repetição rítmica de palavras ou frases, um recurso comum em histórias infantis, também favorece a memorização e a previsibilidade, aspectos que os bebês apreciam.

  • Sons e Onomatopeias:

Além da fala, a voz pode ser utilizada para produzir uma variedade de sons e onomatopeias que enriquecem a experiência narrativa. Sons de animais, objetos e fenômenos da natureza, quando reproduzidos com a voz, despertam a curiosidade e estimulam a imitação pelos bebês. Esses elementos sonoros acrescentam uma dimensão lúdica à história, tornando-a mais interativa e palpável.

  • Cantigas e Rimas:

Integrar cantigas e rimas durante a contação de histórias é uma maneira eficaz de engajar os bebês. A musicalidade intrínseca desses elementos facilita a memorização e o reconhecimento de padrões sonoros, contribuindo para o desenvolvimento linguístico. Além disso, o caráter repetitivo e melódico das cantigas e rimas provê uma sensação de conforto e familiaridade.

A Técnica de Contar Histórias para Bebês

O primeiro passo para contar histórias a bebês é capturar sua atenção. Isso se faz com o uso de livros coloridos, ilustrações vibrantes e objetos táteis que possam ser mostrados ao bebê antes de iniciar a história. A interação inicial também inclui a modulação da voz e o contato visual para sinalizar que um momento especial está prestes a começar.

  • Preparação do ambiente

A contadora de histórias Carmen Lucia Campos enfatiza a importância da preparação, não apenas do narrador, mas do ambiente. A escolha do espaço e dos materiais é decisiva. Opta-se por um local acolhedor, com almofadas e pouca interferência externa. O livro escolhido deve ser colorido e resistente, ideal para as mãozinhas curiosas dos bebês.

  • Capturando a atenção

O início se faz com um chamado suave, uma canção ou o som de um chocalho. A educadora Madalena Freire salienta que a captura de atenção é o portal para a história, uma promessa de encantamento. O contato visual e a postura corporal aberta são essenciais para criar conexão.

  • Introduzindo a História:

Ao introduzir a história, utiliza-se uma voz cheia de entusiasmo e curiosidade para instigar a imaginação dos pequenos. As primeiras frases são proferidas com clareza e um ritmo que desperte interesse, utilizando perguntas retóricas ou exclamações para envolver os bebês no enredo. Ao apresentar a narrativa, personagens são trazidos à vida com voz e gestos. O autor Ricardo Azevedo ressalta a importância de personagens que despertem empatia e curiosidade. Histórias tradicionais adaptadas para bebês, como “Chapeuzinho Vermelho”, ganham nova roupagem, com enredos simplificados e muitas ilustrações.

  • Desenvolvendo a Narrativa:

Durante o desenvolvimento da história, mantém-se um equilíbrio entre repetição e variação. Assim, repetem-se frases-chave ou sons para fornecer uma estrutura previsível que os bebês possam reconhecer e antecipar. Simultaneamente, introduz-se variações na narrativa para manter o interesse, mudando o tom de voz para diferentes personagens ou modulando o volume para destacar momentos emocionantes. Aqui, o ritmo é fundamental. O pesquisador Paulo Freire menciona a cadência narrativa como o coração da história. Elementos lúdicos, como rimas, onomatopeias e repetições, criam uma melodia verbal que encanta e educa.

  • Utilizando Gestos e Expressões Faciais:

Gestos e expressões faciais acompanham a narração, fornecendo pistas visuais que reforçam o entendimento da história. Usa-se, por exemplo, expressões de surpresa durante uma revelação ou gestos amplos para ilustrar ações dos personagens.

  • Interagindo com o Bebê:

A interação surge naturalmente quando o bebê é convidado a participar. Pode-se pedir que aponte para objetos ou personagens e aguardar por balbucios e gestos, como sugerido pela escritora Lygia Bojunga.. Desta forma, ao longo da história, faz-se perguntas e busca-se a participação dos bebês, mesmo que a resposta seja apenas um olhar ou um balbuciar. Essa interação transforma a narrativa em um diálogo, incentivando a comunicação e a resposta ativa ao que está sendo contado.

  • Concluindo com Afeto:

A conclusão é um retorno suave à realidade. O poeta Manoel de Barros descreve o final da história como um pouso de pássaro, leve e tranquilo. Encerra-se com uma canção de ninar ou um carinho, deixando a promessa de mais histórias por vir. Ao finalizar a história, usa-se uma voz suave e carinhosa para transmitir uma sensação de conclusão e conforto. Aproxima-se fisicamente, oferecendo um abraço ou um carinho, para reforçar a conexão afetiva e deixar uma impressão positiva e duradoura.

Tabela: Etapas da Contação de Histórias para Bebês

EtapaDescriçãoExemploCitação
PreparaçãoAmbientação e materiaisEscolha de um local confortável e livro ilustrado“O espaço conta a história antes mesmo de as palavras começarem.” – Fanny Abramovich
Captura de AtençãoPrimeiro contato com o bebêUso de sons suaves e contato visual“A magia começa no olhar.” – Ana Maria Machado
Introdução da HistóriaApresentação de personagens“Chapeuzinho Vermelho” versão bebê“Personagens são pontes para mundos novos.” – Ziraldo
DesenvolvimentoNarração com elementos lúdicosUso de rimas e onomatopeias“Brincar com as palavras é tecer sonhos.” – Cecília Meireles
InteraçãoEnvolver o bebê na históriaPerguntas simples e espera por reações“A interação é a alma da história.” – Ruth Rocha
ConclusãoFechamento afetivoEncerramento com uma canção de ninar“Cada história é um abraço em palavras.” – Monteiro Lobato

Praticando a contar história para bebes

Agora, vamos explorar passo a passo a técnica de contar histórias para bebês:

Passo 1: Conexão Inicial Estabeleça um vínculo com o bebê. Sorria, faça contato visual e utilize um tom de voz suave para criar um clima de confiança e aconchego.

Passo 2: Introdução da História Apresente o livro, mostrando a capa e falando sobre as imagens. Utilize gestos simples e expressões faciais para despertar o interesse.

Passo 3: Desenvolvimento Prossiga com a narração, mantendo a voz expressiva e ritmada. Inclua onomatopeias e sons divertidos que possam atrair a atenção do bebê.

Passo 4: Interatividade Faça perguntas simples, aponte para as ilustrações e incentive o bebê a tocar o livro. A interatividade é essencial para o envolvimento.

Passo 5: Conclusão Finalize a história de maneira clara e tranquila. Reafirme o laço afetivo com o bebê, agradecendo a sua atenção e participação.

Exemplos Práticos

Para ilustrar, vejamos alguns exemplos práticos de como contar uma história para um bebê:

Exemplo 1: “O Ursinho Dorminhoco”

  • Utilize um tom suave e cadenciado.
  • Mostre as imagens do ursinho se preparando para dormir.
  • Repita a frase “Boa noite, ursinho” a cada página.

Exemplo 2: “A Lagarta Comilona”

  • Varie o tom de voz para expressar surpresa com a quantidade de comida da lagarta.
  • Encoraje o bebê a tocar nas páginas com buracos onde a lagarta “comeu”.

“Contando ‘O Saci’ para Bebês: Uma Experiência Sensorial”

abaixo escolhi uma história muito conhecida do folclore brasileiro e fiz uma adaptação para se contar história para bebes. Você pode usar esse exemplo em qualquer outra história, ajustando para o enredo que escolher.

Introdução:

A história do Saci-Pererê é um tesouro do folclore brasileiro. Este personagem travesso e de uma perna só cativa a imaginação de todos, incluindo os bebês. A contação dessa história para os pequeninos deve ser adaptada, transformando-se em uma experiência sensorial que envolve visão, audição e tato. Abaixo, detalharei o processo de preparação e execução dessa contação de história, usando tabelas ilustrativas para mostrar como recursos e técnicas se integram na narrativa para evocar as sensações desejadas.

  1. Tabela: Preparação e Execução
EtapaAçãoRecurso/TécnicaResultado/Sensação
Escolha da HistóriaSeleção da história do “Saci”Livro ilustrado adaptadoCuriosidade e expectativa
Preparação do AmbienteAmbientação do espaço de contaçãoAlmofadas, iluminação suaveAcolhimento e conforto
Aquecimento VocalExercícios de voz e respiraçãoAquecimento vocalClareza e expressividade na narração
Captura de AtençãoSons e gestos para chamar atençãoChocalho, voz suave, contato visualFoco e conexão inicial
Introdução da HistóriaApresentação do SaciLivro ilustrado, voz entusiasmadaEmpatia e interesse
DesenvolvimentoNarração das travessuras do SaciOnomatopeias, movimentos, repetiçõesDiversão e engajamento
InteraçãoConvite à participação do bebêPerguntas simples, pausasResposta e envolvimento
ConclusãoEncerramento suaveCanção de ninar, fechamento do livroCalma e afeição
  1. A Preparação e o Ambiente:

Começamos escolhendo uma versão ilustrada do “Saci” adaptada para bebês, com imagens vibrantes e texto simplificado. O espaço é arranjado com almofadas e uma iluminação suave para criar um ambiente aconchegante. Aquecimento vocal é essencial para garantir uma narração clara e expressiva.

  1. Captura de Atenção:

Iniciamos com o som de um chocalho, imitando o som das travessuras do Saci, e chamamos suavemente a atenção do bebê com contato visual. Esta etapa estabelece uma conexão inicial crucial.

  1. Introdução da História:

Mostramos o livro ilustrado e apresentamos o Saci, destacando suas características com uma voz entusiasmada. As ilustrações coloridas capturam o interesse visual do bebê.

  1. Desenvolvimento:

Narramos as peripécias do Saci, usando onomatopeias para imitar os sons da floresta e suas travessuras. Movimentos leves, como o sacudir de uma perna, ilustram suas ações, enquanto repetições ajudam a criar ritmo e familiaridade.

  1. Interação:

Durante a história, fazemos pausas e convidamos o bebê a participar, fazendo perguntas simples como “Onde está o Saci?” e esperando por qualquer reação, como apontar ou vocalizar.

  1. Conclusão:

Concluímos a história de forma tranquila, com o Saci indo descansar após um dia de travessuras. Encerramos com uma canção de ninar, fechando o livro lentamente, sinalizando o fim da contação.