Interferências Internas

interação

Algumas interferências ocorrem durante a contação sem que estejam ligadas ao espaço, nem ao processo de produção da história, mas sim à plateia e a própria “encenação”.  

Em relação a plateia, a mais comum é a interrupção por uma das crianças, seja perguntando, ou fazendo observações, ou mesmo buscando “atrapalhar” a atividade. A forma com que as crianças interagem com a história, com o contador, o espaço e com as demais crianças ao longo da história determina o tipo de interferência e sinaliza possíveis saídas para se contornar, ou aproveitar tais interferências. Nesse caso, podemos dividir em três formas as “interrupções pela plateia”:

A – Desagrado

Quando a plateia, de forma geral, não se agrada com a  “performance”, ou com a história, e “deixa” o espaço quase que em bloco, permanecendo apenas pouco ouvintes. Também pode, no caso de plateia infantil, principalmente, vaiar, ou solicitar outra história, ou mesmo criticando abertamente a atividade.

Essa situação, geralmente está relacionada a escolha errada da história, seja faixa  etária, ou da técnica que não prenda a atenção daquele público. Pouco se pode fazer já com a história em andamento, haja vista que tudo já foi pré-produzido e tanto a técnica escolhida, quanto a história adequada à faixa etária da plateia foram equivocadas.

Para “minimizar” esse tipo de interferência, o contador poderá:

  • Mudar de postura e atuação, se adequando a idade das crianças;
  • Deixar de usar um recurso muito ou pouco infantil, de acordo com a plateia;
  • Ter versões diferentes da mesma história, e trocar de versão.

 Em alguns casos, mudar a técnica, quando possível, ou postura cênica do contador será suficiente. O certo é escolher uma história e a forma de contar de acordo cm o espaço e o público que iremos encontrar. 

B – Interrupções abertas

Quando uma, ou mais crianças, em momentos diferentes, procura chamar a atenção do contador para um assunto desconexo ao da história de forma intencional, ou alheia a sua vontade.  As principais causas são:

  • Carência afetiva;
  • Obter reconhecimento;
  • Preocupações;
  • Necessidade de sair do espaço.

O contador poderá, ou não escutá-la e dar-lhe atenção. Em ambos os casos, ser firme no diálogo e no texto, mantendo as expressões faciais e corporais e, muitas vezes, escolhendo um grupo, ou alguém da plateia para retomar a ação, ajudará a “dissolver” a interrupção indesejada, sem haver necessidade de “parar” a história, tanto para pedir silêncio, quanto para “responder” a quem interrompe. O contador poderá usar a “última palavra”, ou substantivo/adjetivo jogada  plateia  e voltar para o texto, introduzindo tal palavra na história, dentro do contexto da cena. . Por vezes, não terá outra saída, caso seja algo que necessite verdadeiramente ser ouvida, e não tenha outros adultos responsáveis, como ir ao banheiro, por exemplo.

Prever essas interrupções, e possíveis saídas é algo particular de cada contador de história, que poderá elenca-las e estuda-las com antecedência. Assim terá um repertório de saídas seguras para cada tipo de situação.

Ter uma pessoa de suporte, que pode ser da equipe do contador, ou da equipe do local, orientando-a para solucionar essas distrações, como levar uma criança ao banheiro, ou evitar que aquela que sempre rouba a cena propositadamente, entre no espaço cênico fora de contexto é uma providência adequada para a maioria das situações.

C – Interrupções Fechadas

Acontece quando há alguma observação, pergunta, ou tentativa de comunicação entre a plateia, ou alguém dentre ela, e o contador de histórias, porém, com a diferença que haverá conexão entre a interpelação e o assunto da própria história sendo narrada.

Aproveitar as “deixas” da plateia, introduzindo suas observações na história poderá incentivar outros da plateia a participar do jogo, mas se deve aproveitar esse recurso com cuidado.  A menos que o contador tenha completo domínio da história, técnica utilizada e da própria plateia, isso seria perigosos a ponto de “modificar” a história original, desconcentrando o narrador. 

O Estranho Caso do Livo sem o Fim – Espetáculo de contação de Histórias de José Robson

Na maior parte do tempo, esse tipo de interrupção se dá em fazer o narrador:

  • Perceber a ação de um personagem
  • Ver um personagem, ou objeto da cena;
  • Lembrar de algo acontecido;
  • Revelar  coisas da própria história, como o segredo de um personagem;
  • Resolver um problema para o personagem, ou contador.

As crianças, quando mergulham na história “ignoram” completamente que o narrador conhece a história, domina e articula os personagens e sabem dos segredos, falas, ações e intenções de cada um na história. Ficam grande parte do tempo “telegrafando” e contando coisas como se o narrador já não soubesse. Essa interação é torna a história muito divertida. Essa é a interferência que acontece com maior frequência e que emprega uma interatividade  colaborativo com a história, podendo até mesmo “esticar” o tempo previsto para o evento.

Vários contadores incentivam esse tipo de interferência, principalmente solicitando respostas, ou ações coreografadas, para obter mais atenção das crianças e prolongar o tempo de atuação. Chamam de ”contação interativa”. De forma geral, o objetivo é alcançado, mas histórias interativas precisam ter, além dessa intervenção incentivada pelo narrador, elementos que integram física e emocionalmente as crianças espontaneamente, que sinto o “impulso” de interagir, não somente respondam a um pedido do narrador.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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