Oportunidade

José Robson contando história em espaço de passagem de crianças em feira infantil em escola

Já em situações em que não há plateia definida, por vários motivos, podemos estar livres para começar a história para grupos pequenos, ou mesmo uma, ou duas crianças apenas a qualquer momento. Isso acontece muito em eventos com fluxo intermite de pessoas, em feiras de livro, eventos corporativos, ou mesmo no pátio da escola, ou durante a espera da criança enquanto os pais chegam para buscar os alunos.

Uma criança que sempre espera pelos pais no horário da saída, gera uma oportunidade de iniciar uma história sobre “espera”, a cor da roupa da aluna, ou alguma gravura de um dos objetos que ela leva, talvez sobre o significado do seu nome. Ou quem sabe aquele pequenininho que nunca é escolhido para o futebol pode dar a oportunidade ideal para começar uma a fábula da “Cigarra e a Formiga”. É na “oportunidade” que podemos melhorar a autoestima de alguma criança em particular, ou contar alguma história de coragem, superação, ajudando grupos pequenos, ou indivíduos com seus medos e frustrações. Claro que podemos apenas contar histórias sem esse intuito, sobre a beleza disso, ou daquilo, mas a “oportunidade” garante o interesse das crianças em momentos em que a história é um elemento inesperado.

Contamos história, então, quando surge a “oportunidade”, ou podemos até criá-las conforme a interação com a criança que “passa”. Algumas situações em que a oportunidade sugere a história, ou início dela:

• Salas de espera, como em hospitais e clínicas;
• Locais de passagem, como corredores de shoppings e embarques;
• Transporte público, como ônibus, trens, embarcações;
• Locais de trabalho, como horta, cozinha.

Para se aproveitar as “oportunidades” ter um repertório é essencial para usar elementos do “mote” relacionados ao momento. A observação e prontidão serão qualidades que o contador de história deverá alimentar e treinar.

Nesses eventos o contador de histórias atua em forma de “intervenção“, buscando momentos para encaixar algum acontecimento, personagem, manipular algum objeto cênico. Embora tenha seu repertório e separado alguns elementos e histórias para a apresentação, aguarda janelas para apresentá-los aos ouvintes espontâneos e casuais. Pode haver um grupo pequeno de crianças interessadas especificamente no contador, nem sempre na história o que o obriga a atuar improvisando. E haverá histórias em que as crianças terão que sair no meio, sem saber o final da história, enquanto outras chegam, sem saber o início.

Para alguns contadores que planejam cuidadosamente sua atuação e espetáculo, pode ser, a princípio, frustrante que isso ocorra. Por isso é tão importante conhecer:

  • Tipo de evento;
  • Público alvo;
  • Fluxo de pessoas;
  • Tipo de espaço;
  • Duração do evento e eventos paralelos.

Os Clowns conseguem usar essas habilidades de forma fluída, criando e recriando interações a partir de acontecimentos correntes e experiências anteriores. A seguir, uma cena de Clown em local de passagem de pessoas, que não esperam a intervenção.

Perceba que a improvisação do ator parte de assuntos, objetos e situações que vão acontecendo. Ele deve ter feito várias vezes as mesmas interações, tendo um repertório para cada proposta com pequenas variações.

No caso do contador de histórias, ter uma bagagem de pequenas histórias, cantigas e brincadeiras roteirizadas o auxiliarão muito em apresentações em eventos e espaços não convencionais. Essa habilidade só é adquirida com experiência e treino, além de pesquisa e criação.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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