A Escolha do Espaço

espaço cênico

Escolher como será o espaço em que vamos contar uma determinada história e como as crianças serão dispostas para assistir a apresentação, na maioria das vezes, não estará ao alcance do narrador.

Quando a narração é construída, uma imagem é idealizada pelo contador, que imagina a disposição e movimentação cênica, a entrada e saída de objetos e outros recursos em relação a plateia. Essa idealização pode “engessar” o espetáculo, dificultando a adaptação em locais com outras variáveis.

O contador automaticamente pensa nos locais mais comuns em que se apresenta. Há histórias que são difíceis de levar para locais para as quais elas não foram concebidas, principalmente histórias com recursos específicos como fantoches, ou iluminação, das quais dependem.

Essa relação história-narrador-espaço-plateia vai depender ora dos conceitos artísticos envolvidos na criação do espetáculo, ora na intenção intecto-cultural do próprio narrador, suas intenções, motivos e resultados emocionais e morais que deseja causar.

Com outras palavras, o espetáculo será mais importante do que a própria história em si? Por que levar a história àquela plateia? Poderíamos escolher outro espetáculo que seja mais adaptativo ao tipo de palco e plateia? São questões que o contador deverá discutir com o contratante, ou anfitrião a fim de encontrar uma justificativa para manter uma história, trocá-la, ou adaptar a sessão as condições para as quais ela não foi concebida.

Da mesma forma, e isso acontece na grande maioria das narrações, uma contação é facilmente adaptável a qualquer espaço e não haverá nenhum contratempo em seu agendamento.

Reconhecendo o espaço

Visitar o espaço, ou obter um relatório com plantas e fotografias ajudará na adaptação técnica instrumental (recursos físicos), que podem ser:

  • Acústica;
  • Plano;
  • Dimensão;
  • Disposição.

Dependendo dessas informações, o contador saberá, entre outras decisões, se vai necessitar levar:

  • Equipamento de som;
  • Cenário maior/menor;
  • Reduzir recursos;
  • Dividir em mais sessões.

Outro motivo importante para conhecer o tipo de espaço com antecedência é que ajudará o contador a adaptar, caso seja necessário, a forma com que escolherá a forma da sua narrativa performática:

  • Impostação vocal;
  • Movimentação cênica;
  • Mapa de palco e técnico.

Nos próximos artigos buscaremos essas informações estudando os tipos de palco e espaços cênicos principais.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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