Meu nome é José Robson (Binho) e eu conto histórias infantis em eventos e projetos. Com mais de 30 anos encantando pequenos leitores, construí um repertório com diversos temas. A seguir, mostro como eu inicio uma contação de história temática, usando voz discurso direto e voz ativa para envolver a plateia para, só então, começar a apresentação:
O que é, de verdade, uma contação de histórias?
Quando falo em contação de histórias, eu não falo de definição de dicionário. Falo de prática, de chão de sala, de roda formada, de olho no olho. Para mim, contar uma história é uma performance viva, construída com voz, corpo, silêncio e escuta.
É o momento em que a narrativa deixa de ser apenas texto e passa a ser experiência. A história ganha ritmo, respira, provoca riso, suspense e emoção. E o ouvinte — seja criança ou adulto — entra nesse jogo imaginativo quase sem perceber.
Como eu uso a voz e o corpo para dar vida às histórias
A minha principal ferramenta é a voz. Eu mudo o ritmo, brinco com o volume, alongo uma palavra, corto outra no meio. Faço pausas estratégicas. Às vezes, o silêncio fala mais do que qualquer frase.
Além disso, o corpo acompanha tudo. As mãos desenham imagens no ar, o rosto cria personagens e o corpo inteiro sustenta a cena. Mesmo parado, continuo contando.
Voz, expressão e intenção:
Crio vozes diferentes para cada personagem.
Uso variação de entonação, ritmo e intensidade.
Faço pausas longas para gerar suspense.
Trabalho expressões faciais e postura corporal.
Recursos cênicos simples que ampliam o imaginário
Não acredito em excesso de recursos. Pelo contrário: quanto mais simples, mais potente. Um pano, um boneco, uma caixa ou um objeto reciclado já resolvem muita coisa.
Esses elementos não explicam a história. Eles sugerem. E é justamente nessa sugestão que a imaginação do público entra em ação.
O que eu costumo usar nas contações:
Fantoches e bonecos simples
Figuras, silhuetas e objetos do cotidiano
Sons feitos com a boca ou com o corpo
Músicas curtas para abertura ou transição
Interatividade: quando o público vira parte da história
Eu nunca conto uma história sozinho. Eu conto com o público. Faço perguntas, escuto respostas, deixo que completem frases, sons ou movimentos.
Essa participação não é um detalhe. Ela fortalece o desenvolvimento da linguagem, estimula o pensamento simbólico e ajuda na construção da identidade, especialmente nas crianças. Na minha página de espetáculos de contação de histórias eu falo mais sobre meu estilo e forma de atuação.
Por que conhecer bem a história muda tudo
Eu não decoro histórias. Eu me aproprio delas. Sei onde começam, onde apertam, onde respiram e onde explodem. Isso me dá liberdade.
Se uma palavra some da memória, sigo em frente. Se o público reage de forma inesperada, adapto. A narrativa continua viva porque não estou preso ao texto — estou conectado à essência da história.
A estrutura invisível por trás de uma boa contação
Toda boa história tem uma espinha dorsal. Eu costumava dividir a narrativa em partes e identificar seus postos-chave. Assim, sei exatamente onde estou e para onde vou.
Antes de contar, eu me pergunto:
Qual é o conflito central?
Onde está o momento de virada?
Quem narra: o observador ou o personagem?
Como praticar contação de histórias no dia a dia
Escolha uma história que te encante: Se ela não mexe com você, dificilmente vai mexer com quem escuta.
Leia em voz alta, muitas vezes: Teste vozes, gestos e pausas. É nesse treino que a história encontra o seu ritmo.
Transforme objetos simples: Um pedaço de pano pode virar rio, céu ou capa.
Crie um clima de entrada: Uma música de abertura ou um pequeno ritual avisa: agora vamos entrar em outro mundo.
Solte-se: Não tenha medo de errar. Contar histórias é sobre presença, entrega e encantamento.
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